"O Protocolo Caos" de José Rodrigues dos Santos (JRS) apresenta-se como um thriller de conspiração intensamente focado na atualidade geopolítica mais controversa. A sinopse sugere uma estrutura narrativa ambiciosa, fragmentada em múltiplas linhas de ação globais – desde o terrorismo em Portugal, passando por intrigas na Rússia, dramas familiares nos EUA, e perseguições no Brasil e Myanmar – todas convergindo através de uma mensagem enigmática.
Pontos Fortes e Potencial
Relevância e Timeliness: O livro capitaliza a sua força na premissa de estar "inspirado em factos reais", prometendo ao leitor uma visão desmistificada (e tipicamente polêmica) sobre a influência russa e o uso das redes sociais como "cavalos de Troia" para a destruição do Ocidente. Este tema é extremamente contemporâneo e garante um elevado fator de imersão e urgência.
Ritmo e Tensão: A sinopse, ao iniciar com um ataque de alta voltagem e uma reviravolta chocante (Tomás Noronha como atirador), promete um ritmo vertiginoso e um elevado grau de tensão dramática. A multiplicidade de cenários e personagens (o polícia russo, a família americana, a médica brasileira) sugere uma leitura dinâmica e pouco monótona.
A Figura de Tomás Noronha: JRS utiliza o seu protagonista habitual, o criptologista Tomás Noronha, garantindo a familiaridade para os leitores assíduos. O choque de vê-lo envolvido num ato terrorista brutal serve de gancho narrativo poderoso, questionando a sua moralidade ou sugerindo um complexo esquema de frame-up.
Expectativas Críticas
O principal desafio de "O Protocolo Caos" reside na gestão da sua vastíssima abrangência. Com tantos focos geográficos e narrativos (cinco, pelo menos), a obra arrisca-se a:
Superficialidade Temática: Para ligar o "Caos" de forma coerente, o autor terá de sintetizar e explicar complexas operações de guerra híbrida e desinformação global. A crítica questionará se esta explicação é feita com a devida subtileza literária ou se pende excessivamente para o ensaio político-jornalístico, uma marca já conhecida de JRS.
Fidelidade ao Género: Sendo um thriller baseado em "factos reais" e teorias da conspiração (ainda que a pretexto de desvendá-las), o leitor deve esperar um tratamento que, para efeitos de suspense, pode por vezes simplificar a complexidade sociopolítica em favor de uma narrativa mais maniqueísta (o Ocidente vs. a Rússia).
Desenvolvimento de Personagens: A necessidade de cobrir tantos episódios globais pode levar a que as personagens secundárias (o polícia, a família, a médica) sirvam mais como veículos para o enredo geopolítico do que como indivíduos profundamente desenvolvidos.
Em suma, "O Protocolo Caos" promete ser uma leitura eletrizante e provocadora, ideal para quem procura um thriller que ecoe os títulos das notícias diárias e ofereça uma perspetiva, ainda que ficcionada, sobre os mecanismos ocultos da desinformação moderna. É um livro que procura alertar e entreter, misturando o mundo sombrio da geopolítica com a ação incessante de um bestseller.
Avaliação (0-10) 8
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