quinta-feira, 7 de maio de 2026

José Guilherme Pacheco (1821-1889) – O Rei de Paredes

 


José Guilherme Pacheco (1821-1889) – O Rei de Paredes"

Uma Viagem ao Coração do "Caciquismo" no Século XIX

Recentemente, terminei a leitura de José Guilherme Pacheco (1821-1889) – O Rei de Paredes, uma obra monumental de Ricardo Rocha e Fernando de Sousa. Mais do que uma simples biografia, este livro é um raio-x fascinante sobre como o poder era exercido em Portugal durante o período da Regeneração.

O Protagonista: Entre o Benemérito e o Estratega

O livro detalha a vida de José Guilherme Pacheco, uma figura que, embora regional no nome, tinha uma influência que ecoava em Lisboa. Conhecido como o "Rei de Paredes", Pacheco personifica o fenómeno do caciquismo. Os autores conseguem mostrar com mestria as duas faces desta moeda: por um lado, o político que trouxe progresso, estradas e infraestruturas para a sua terra, por outro, o líder que geria uma rede de influências e dependências para garantir o controlo eleitoral.

A qualidade da investigação é, sem dúvida, o ponto forte. Nota-se o rigor académico de Fernando de Sousa e Ricardo Rocha na consulta de arquivos e correspondência da época. No entanto, a narrativa não se torna árida. O texto flui de forma a pintar um quadro vívido da sociedade nortenha do século XIX, das lutas entre liberais e das dinâmicas de poder local que, em grande parte, explicam como Portugal funcionava (e talvez ainda funcione em certos aspetos).

Vale a pena ler?

Se gostas de História de Portugal, sociologia política ou se tens curiosidade pelas raízes das elites locais, este livro é essencial. Não é uma leitura leve de "domingo à tarde", mas é uma obra profundamente gratificante para quem quer entender os bastidores do poder além dos manuais escolares.

Uma peça fundamental para compreender o Portugal liberal e a figura de um homem que foi, simultaneamente, amado e temido no seu "reino" de Paredes

Avaliação ( 0 a 10) 8

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